Olhem que bacana esse vídeo produzido pelo pessoal da Bier & Wein junto com o Pão de Açúcar, mostrando outras opções de cerveja para você comemorar o St Patricks Day não apenas com Guinness- apesar de que eu amo tanto essa irlandesa safada que posso fácil só ficar na Guinness a noite toda <3
Tem a interessante 8.6, Strong Lager feita com maltes de whisky, além da Paulistânia, que é uma boa opção de Lager em relação às de massa, e a ColoradoDemoiselle, que é uma boa Portercom um bom custo-benefício.
No vídeo eles dizem que as dicas é para quem vai comemorar a data em casa, mas você pode aplicá-las no boteco também. E aí, onde você vai passar o St Patricks, hein? Veja aqui uma lista de botecos paulistanos que vão ter programação especial no dia – e promoções.
Pedindo uma cerveja Rogue nesses bares participantes da rota, você ganha um passaporte Rogue. Os preços variam de R$18 para o chopp não pasteurizado de 300 ml e também para a long neck. Já a Rogue de 600 ml sai por R$37.
Se você perseverar e completar o roteiro de bares, você pode mandar seu passaporte carimbado para a Tarantino. Mas tem que ser ligeiro: a importadora vai dar uns presentinhos ixpértos apenas para os 12 primeiros passaportes que aportarem lá.
E ainda tem mais: ao final da peregrinação cervejística, dia 3 de março, os queridos Dudu Toledo e Luis Fabiani da Cervejaria Nacional vão brassar lá em seu charmoso brewpub uma receita oficial da micro americana. Nem preciso dizer que tô louca para participar dessa brassagem histórica, né? \o/
Apesar da Duff ser a bebida oficial do Homer Simpson e ser o “carro-chefe” do lendário bar do Moe’s, a marca não tem relação com a Fox, detentora dos direitos de imagem dos Simpsons, e por conta disso, a marca não pode fazer nenhuma referência ao desenho.
Eu e a Maltemoiselle Tatu Damberg fomos lá conferir a cerveja do Homer, e nos pareceu bastante com a Lager filtrada da Saint Bier que eu já havia experimentado na minha viagem de apuração em Santa Catarina. Apesar das cervejas terem sido servidas na long neck mesmo, senti um forte DMS (aroma de legumes cozidos), problema que aparece ainda na fase da mosturação, antes da fermentação. E como gosto bastante de lúpulo, senti que faltou amargor. Mas mesmo com o off-flavour e com a adaptação ao “gosto brasileiro”, achei a Duff uma Lager superior às de massa, por ter mais sabor e ser puro malte – só achei que o valor da long neck deveria ser mais competitivo (a cerveja será vendida de R$8 a R$10 em cerca de 30 bares e empórios paulistanos, e em quiosques da rede Mr. Beer, localizados em shoppings centers).
Diferentemente do desenho, a Duff real não é uma cerveja barata e que vende em qualquer lugar, e também será vendida apenas em garrafas long neck – no desenho, Homer a bebe direto na latinha.
Depois de mais de um ano que visitei o espaço onde seria a Vila St Gallen em Teresópolis – ainda estava em reformas -, o espaço é inaugurado oficialmente no úlimo 29 de outubro numa super festa que contou com várias figurinhas do cenário cervejeiro – como as meninas da FemAle Carioca.
O espaço, que antes era para se chamar Confraria 1912, se transformou numa vila cervejeira que remete ao vilarejo de Sankt Gallen na Suíça, de onde foi tirada a inspiração para o nome da cervejaria Theresópolis. Dentro da vila fictícia está o Bistrô 1912, nome que homenageia Alfredo Claussen, o idealizador da cervejaria, que começou a fazer cerveja nesta data, resgatando as receitas de sua família, de ascendência dinamarquesa.
A intenção dos idealizadores da vila cervejeira é transformar o lugar num novo point para os amantes das cervejas artesanais na região serrana do Rio de Janeiro, além de também servir de sede para o QG da Acerva Teresópolis. Como eu já tinha mostrado nesse post aqui, a porta de entrada da casa de estilo alemão é um luxo só – várias florzinhas de lúpulo douradas recebem os comensais, que podem desfrutar do bistrô no andar térreo, onde é possível degustar pratos harmonizados com cervejas especiais; uma lojinha em anexo; um salão de fondues e raclettes no sótão da casa, também harmonizadas com cervas gourmet e um biergarten no jardim.
Tô louca para conhecer a vilinha Para quem é das bandas do RJ ou está passeando por lá, não deixe de dar uma passadinha por lá:
A verdade é que eu to atoladíssima de trabalho como nunca estive em muito tempo, e quase nem dá tempo de ir na manicure – quanto mais postar coisas interessantes por aqui
Mas me aguardem que esse fim de ano promete: o livro vai finalmente sair do forno e terei um montão de novidades pra contar!
Anúncio da Allsopp & Sons, fábrica de Burton-on-Trent concorrente ao do suposto inventor da IPA, George Hodgson
Aproveitando que hoje é o #IPADay, que tal desmistificar um pouco da história da IPA? Um dos estilos de cerveja mais populares de todos os tempos – e em todo o globo –, é a India Pale Ale, a nossa querida e super lupulada IPA. E muitos de nós – e até eu mesma, pensava que sabiam a verdadeira história deste estilo inglês de cerveja, que se refere ao início da colonização britânica na Índia, por volta dos 1700-1800, quando soldados, marinheiros e até mesmo os colonizadores queriam bebericar uma cervejinha, mas a coitada chegava por aquelas bandas já imbebível. Aí a solução foi aumentar a dose de lúpulo, para a cerveja ter uma durabilidade maior durante as longas viagens. Mas, de acordo com o autor americano Martyn Cornell, que inclusive está lançando um livro sobre a história das Ales inglesas, tudo isso não passa de mito.
Até hoje, se dava o crédito à invenção da IPA a George Hodgson, da Bow Brewery de Londres. Mas, como a própria história nos mostra, a exportação de cervejas, tanto Cask Ales inglesas quanto Lagers, para a Índia, tem sido feita com sucesso desde o começo do século XVIII – e mesmo que elas não viajassem bem, não ficavam imbebíveis. A cerveja Porter, estilo que fazia sucesso antes da India Pale Ale ser inventada, também era exportada para a Índia, assim como Strong Dark Ales fazem sucesso até hoje em lugares de clima super quente como a parte ocidental da Índia e Sri Lanka. Enfim, ninguém precisou inventar um estilo novo de cerveja para ela durar uma longa viagem.
Não há dado histórico que relacione que, na época, havia essa preocupação de Hodgson em inventar uma cerveja extremamente lupulada e alcoólica para durar mais – na verdade, havia rumores no meio cervejeiro de que o lúpulo tinha propriedades conservantes e que uma carga alcoólica maior fosse aumentar o prazo de validade das cervejas. Mas uma Pale Ale com 6% de álcool não era nada de outro mundo para os padrões da época.
Se podemos dar crédito ao George Hodgson e sua Bow Brewery por algo relacionado à IPA, pode ser pelo fato da cervejaria ser muito popular na época em que esse estilo começou a ser comercializado, e também, por estar localizada muito próxima ao cais da Companhia das Índias Orientais no rio Tâmisa. Os comandantes dos navios da East Indiamen faziam muitos “negócios da China” por eles mesmos, para angariar uns trocados por fora do salário, levando produtos ingleses – e aí, inclui-se cerveja –, tanto para os civis quanto militares em Bombai, Madras e Calcutá. Os comandantes tinham um ótimo relacionamento com a Bow Brewery, e por conta disso também se deve o retumbante sucesso da IPA sob sua égide.
De qualquer forma, tanto a cerveja da Bow Brewery quanto dos concorrentes era anunciada como “Pale Ale preparada para o clima das Índias Orientais e Ocidentais”, e não Índia Pale Ale como conhecemos hoje. O nome só apareceu pela primeira vez num anúncio do The Liverpoool Mercury em 1835, em que aparecia a cerveja da Bow Brewery como “East India Pale Ale”, e depois de umas boas décadas, muitos jornais e revistas da época continuaram tratando a IPA como “a cerveja das Índias”.
Em meio a lançamentos de cervejas de nicho – para mulheres, probióticas, de baixa caloria e baixo índice de carboidratos, Randy Mosher, designer de embalagens norte-americano, autor de Tasting Beer, Radical Brewing e The Brewer´s Companion, e professor do Siebel Institute em Chicago, EUA, expõe sua opinião sobre como o mercado cervejeiro deve se posicionar ao vender cerveja – principalmente para as mulheres, fatia do mercado de cervejas artesanais que só tem crescido nos últimos anos.
Confira a entrevista exclusiva que Randy concedeu ao Trilha da Cerveja:
Apesar da mulher moderna ser independente e muitas vezes até ser mais bem-sucedida que os homens na carreira, ainda há uma certa idéia de que cerveja é bebida de homem. O que você pensa disso?
Eu acho que isso é uma herança dos tempos em que beber era uma atividade social do mundo masculino, e não tão aceitável para as “mulheres decentes”. O vinho foi a primeira bebida socialmente aceitável entre as mulheres, e depois vieram os coquetéis, os licores e destilados, e finalmente, a cerveja artesanal – pelo menos foi assim nos EUA. Do ponto de vista do marketing de massa, o jeito mais fácil de atingir bebedores de cerveja era com anúncios relacionados com esportes, e como esporte sempre foi um tema popular entre os homens, era claro que os anúncios eram feitos apenas para homens. Isso significa que as mulheres eram ignoradas, intencionalmente ou apenas como um resultado de que a maioria dos consumidores de cerveja eram homens e que a verba de publicidade seria direcionada para o público que mais consome o produto. Então na TV o que mais se via eram homens fortões, mulheres de biquíni e piadinhas toscas, então automaticamente as mulheres eram inibidas a beber cerveja, porque não se identificavam com aquela idéia da propaganda.
Claro que com cerveja artesanal as coisas são diferentes. Há muito mais opções – e algumas são bem sofisticadas. E não há muita verba para publicidade, então é difícil se deparar com anúncios sexistas. Conhecer o gosto individual da clientela é tudo na venda da cerveja artesanal, além da construção de relacionamento entre produtores e consumidores, e eu acho que as mulheres geralmente se sentem mais confortáveis com esse approach, e claro, os jovens também estão muito mais entusiasmados por essas novidades do que minha geração foi.
Como designer de embalagens, você acha que a investida da indústria cervejeira em embalagens mais femininas realmente atrai mais a atenção das mulheres para as cervejas?
Na verdade, não. Eu acho que o produto deveria refletir a qualidade e identidade do que há dentro da embalagem. As cervejas são para todos, e se o designer de embalagem consegue fazer seu trabalho corretamente, as pessoas vão ter uma boa idéia de como se dá essa experiência emocional de se beber cerveja – é divertido, excitante, desafiador, ultrajante, sublime, bobo ou super sério? As pessoas, independente de serem homens ou mulheres, vão responder da mesma forma sobre o que os toca naquele momento, e eu penso que é assim que deve ser. A venda de produtos especialmente feito para mulheres tem um histórico bem triste no mundo dos negócios. Ninguém quer viver num gueto onde é preciso ter produtos especiais baseados em gênero, como se as pessoas fossem deficientes ou tivessem algum problema. E também, pelo ponto de vista do produtor, com “cervejas de mulher” acaba-se jogando fora mais da metade dos consumidores potenciais. Eu já trabalhei no ramo de brinquedos anos atrás, e é bem sabido que garotas podem brincar com os brinquedos direcionados para garotos, mas o contrário não acontece. Um homem ficará repelido a beber certa cerveja se passar pela cabeça dele que aquilo é de mulher. Ele pode ficar preocupado se aquilo faria crescer peitos nele ou coisa parecida (risos).
O que você acha da expressão que o mercado cervejeiro usa para direcionar a venda para o público feminino – que tal cerveja é ideal para o paladar das mulheres? Eu descobri que existe essa expressão até em alemão, “frauenbier”!
Eu acho que é idiota. As mulheres tem o paladar igual ao do homem, com exceção de que talvez algumas sejam mais sensíveis a certos aromas e sabores, e geralmente prestam mais atenção ao que colocam na boca. A única diferença que ocorre em geral é a tolerância da mulher em relação ao amargor do lúpulo ser menor, mas isso, de forma alguma, é uma verdade absoluta. Eu conheço muitas mulheres que gostam de cervejas extremamente lupuladas, com mais de 70 IBUs!
Sim, há até pesquisas científicas que comprovam que a mulher tem uma sensibilidade no paladar maior que a do homem, em certos casos. Há também pesquisas de preferência que sugerem que as mulheres preferem cervejas leves e doces. O que você pensa dessas pesquisas de preferência? Podemos nos basear nelas, ou paladar é, para você, uma coisa individual?
Pesquisa de mercado é uma abominação e resultam em produtos monótonos e sem identidade nas prateleiras dos supermercados. Os cervejeiros deveriam fazer a cerveja que eles e seus amigos gostam, e se a coisa for boa mesmo, outras pessoas vão gostar também. Esse é o maior mote da cerveja artesanal.
E sobre a onda das cervejas low-carb, que são bem direcionadas para mulheres? No Brasil fizeram uma pesquisa sobre qual a cerveja seria a ideal para mulheres, e chegaram em uma Low-carb. O que acha?
As cervejas Lo-carb não tem nada a ver com paladar. É uma forma das pessoas que acham que carboidratos são veneno para sua saúde poderem beber cerveja. Houve um frenesi nos EUA com essas cervejas há mais ou menos oito anos. Graças a Deus essa tendência boba está desaparecendo.
Eu vejo que é natural para as mulheres se juntarem em grupos com suas próprias regras, especialmente quando associações e grupos de cerveja caseira tem tantos homens, ficando difícil às vezes para as mulheres influenciarem o grupo, e serem ouvidas. Acho fantastico os grupos femininos, mas também espero que as associações cervejeiras sejam mais abertas para as mulheres no sentido de elas não se sentirem na necessidade de se separarem em grupos específicos – e acho que esse dia está chegando. Conheço muitas mulheres que são capazes de se fazerem ouvir mesmo numa sala cheia de homens, então eu não duvido que isso vá acontecer. Pelo menos duas importantes microcervejarias são gerenciadas por mulheres nos EUA: Stoudt’s (liderada por Carol Stoudt) e New Belgium (chefiada por Kim Jordan). E há também muitas mulheres em cargos bastante importantes em muitas das pequenas cervejarias.
Por fim, o que você acha que faz as mulheres, muitas vezes, não gostarem de cerveja, além da ideia errônea de que cerveja não é saudável, é engordativa e sem sofisticação?
Talvez porque a maioria do marketing cervejeiro é chato, barato e peca pela falta de variedade, elegância e sabor? Colocar um rótulo cor-de-rosa numa cerveja Ligh Lager de massa, com poucas calorias, não faz o produto ser menos desinteressante.
Com o boom das cervejas artesanais pelas principais capitais do Brasil, a cerveja ganha status de vinho e as pessoas começam a descobrir os prazeres da harmonização da bebida com comida. Mas e com música? Quem é viciado em música adora combinar canções preferidas para momentos-chave da vida – bem ao estilo do livro Alta Fidelidade, de Nick Hornby, no qual o protagonista fazia listas dos top hits de momentos importantes de sua vida.
Uma pessoa no meio cervejeiro que sei que já tem essa pegada musical com cerveja é Marco Falcone, sócio da cervejaria mineira Falke Bier. Ele fez questão de harmonizar a sua Sour Ale de jabuticaba com a canção-tema do filme Vivre pour Vivre, do cineasta francês Claude Lelouch. Outra figurinha do ramo cervejeiro mineiro que faz questão de reiterar sua ligação com música é a Kud Bier, microcervejaria de Belo Horizonte que está para abrir um brewpub rock´n´roll por aquelas bandas.
Assim, nada mais interessante do que chamar meu colega Fernando Neumayer, do blog Som Imaginário, para ser o “sommelier de músicas” e escolher qual canção combina mais com a característica de cada cerveja. Veja só o resultado:
Amazon Bacuri Beer
Características: A cerveja quase não tem álcool (1.8% abv), é bem clarinha, puxando para um amarelinho-pálido, de corpo leve e aroma pronunciado do Bacuri, fruta amazônica que parece bastante com lichia. Tem boa formação e duração de espuma. É uma cerveja super original, que leva ingredientes regionais do norte brasileiro e com ótimo drinkabillity.
O que diz Fernando: quase não tem álcool, é clarinha, leve e com um amarelinho-pálido.
Isso me cheira a uma boa balada, daquelas flashback, mesmo com Amazon no nome. E vamos de Chicago – que tem também uma boa formação com sopros, excelentes instrumentistas e tudo o mais – com If You Leave Me Now. Canção bonita e que, se comparada aos primeiros trabalhos da banda, quase não tem álcool.
Bamberg Rauchbier
Características: a cerveja defumada resgata o passado cervejeiro – antes do advento do carvão, o malte era torrado com lenha, o que dava um aspecto defumado em praticamente todas as cervejas. Até hoje a cidade alemã de Bamberg, a qual batiza a cervejaria paulista, segue a tradição da cerveja defumada, que nos remete imediatamente a bacon. Essa cerveja, com 4,8%abv, tem corpo médio, notas de torrefação de malte e café, com um amargor de lúpulo bem leve.
O que diz Fernando: tomaremos essa no rancho do pessoal do The Band, com boas doses de country e folk. Quem sabe o Dylan não aparece e se junta à fogueira. Vamos com The Weight, emblemática música do grupo, tirada do filme Last Waltz.
Falke Vivre pour Vivre
Características: A cerveja que deu errado acabou dando mais certo ainda. Um lote de Falke Tripel Monasterium havia sido contaminado por bactérias lácticas. A solução dos cervejeiros foi adicionar suco de jabuticaba ao lote que voltou aos tanques para se transformar numa cerveja de estilo Sour Ale com pitadas de brasilidade. Tem 4,7% abv, uma cor rosada, mais puxada para o púrpura, muito delicada, assim como seu corpo. Tem boa formação de espuma e pouco amargor. A acidez das bactérias lácticas é equilibrada com a jabuticaba, que faz desta cerveja difícil de comparar com qualquer outra que já se tenha bebido.
O que diz Fernando: delicada e puxada para o púrpura pede um vocal feminino, então vamos de Ella Fitzgerald, difícil de se comparar com qualquer outra que já se tenha escutado. Escolhi Someone to Watch Over Me, dos Gershwin, onde ela brilha e caminha pela música com delicadeza e beleza inigualáveis.
Wäls Dubbel
Características: Seguindo os passos da escola belga de cervejaria, a mineira Wäls deu cria a esta Dubbel que foi uma das primeiras cervejas brasileiras de estilo belga no país. Com 7,5% abv, é bem encorpada, tem boa formação e duração de espuma, com notas complexas de malte torrado, bala toffee, especiarias e frutas secas.
O que diz Fernando: também achei essa Dubbel jazzística, porém mais para fusion. Encorpada e com notas complexas, não deu outra. Aqui o standard Birdland, com a constelação do Weather Report.
Colorado Índica
Características: A cerveja carrega sotaque regional, levando rapadura na composição. É uma India Pale Ale com 7% abv, cor avermelhada, corpo médio e bom amargor de lúpulo, equilibrado com as notas frutadas, de caramelo e malte torrado.
O que diz Fernando: sotaque regional, cor avermelhada e com rapadura, sem dúvida vamos de Di Melo. Soulman pernambucano, com groove equilibrado e som torrado. A faixa é Kilariô, que abre muito bem o primeiro – e único – disco do homem. Pegue uma Colorado, vá pro meio da sala, afaste os móveis e dê o play.
Bodebrown Perigosa Imperial IPA
Características: é a primeira Imperial IPA lançada no Brasil, com 9% abv e 100 IBUs – uma paulada de amargor, que anda conquistando paladares com a onda das extreme beers. Os lúpulos americanos usados na cerveja, com notas cítricas e herbáceas, são o maior destaque, além da outra paulada alcoólica. É uma cerveja de personalidade forte, com bom drinkabillity.
O que diz Fernando: paulada pra lá e paulada pra cá, lúpulos americanos e personalidade forte com um bom drinkability: vamos de Metallica, que sempre teve um camarim com alta porcentagem de álcool. No passado bem mais, ok. Mas escolhi Sad But True, do aclamado álbum preto, que leva apenas o nome da banda.
Brew Dog Sink the Bismarck
Características: o nome, inspirado no filme de 1960 de Lewis Gilbert, faz desta cerveja a mais extrema (e cara) do mundo. Os 41% abv de álcool são conseguidos graças a um método de congelamento que faz a água se separar e sobrar mais álcool na cerveja – o método, no caso da Sink the Bismarck, foi empregado quatro vezes. A quantidade de lúpulo também é um tapa na cara – 200 IBUs. Quase não tem espuma, e no copo parece mais um whisky que uma cerveja propriamente dita. Sua drinkabillity é um tanto sofrível – com tanto álcool e tanto amargor por conta da massiva adição de lúpulo, a receita perde o equilíbrio.
O que diz Fernando: não que ouvir Pantera seja sofrível, mas essas linhas me levaram à banda. O tapa na cara está quase estampado na capa do disco de onde tirei essa música — na verdade é um soco –, o Vulgar Display of Power. “Quase não tem espuma, e no copo parece um whisky” foi também inspirador, pois Dimebag Darrell, o guitarrista, e sua turma gostavam muito, mas muito de Whisky e todas as outras bebidas possíveis. Separe (muito) mais de uma, desligue os telefones e solte Mouth for War com o volume lá no alto.
Nossa Holiday Stout foi avaliada pela Revista São Paulo da edição de domingo, dia 17/7. O colega Edu Passarelli fez a avaliação de quatro das caseiras que constaram na reportagem, e ficamos felizes de saber que “estamos no caminho certo”, segundo o próprio.
Em resposta à retratação do colega blogueiro Maurício Beltramelli, do Brejas, veiculada no programa 110 do Pão e Cerveja, da colega de imprensa Fabiana Arreguy, faço as seguintes considerações:
Antes de tudo, um esclarecimento: extertora e feminista eu não sou, e posso dizer que nenhuma das mulheres que estava na ocasião do mal-entendido também são. Por extertor entendo uma pessoa moribunda e desesperada, e feminista, que pensa serem as mulheres superiores aos homens. Algumas considerações:
1) Penso que Campinas é uma referência isolada para analisar uma tendência de consumo entre mulheres nessa imensidão de território que é o Brasil, em relação à cerveja.
2) Penso que a retratação do mal-entendido deveria ser feita mais em relação à abordagem da palestra, na qual se fala em “dar uma cafungada, uma apalpada na breja na prateleira, quando se vai comprar, que nem você dá na sua mulher”. Achei a abordagem bem desconfortável, ainda mais num auditório com 95% de homens que ainda riram disso. Logo na sequência, alguém coloca uma boneca inflável na chopeira do beer break, como “representante feminina” da Acerva Baiana, e meu colega Maurício tira foto da queridona e ainda tuita pelo Brejas, para legitimar a brincadeira de mau gosto…senso de humor todo mundo precisa ter, mas aí, acho que passou do engraçadinho para o mau gosto mesmo. Tive vontade de ir embora. Não me senti incluída no movimento cervejeiro naquele momento que, para mim, passou a imagem de que cerveja é para homem, e que os homens acham legal ter umas gostosas por perto em eventos como aquele. Já tinha ouvido de alguns colegas da Acerva Paulista que esses eventos eram, muitas vezes, nada de “women friendly”, e me senti realmente triste com essa impressão, pois, desde 2007 venho viajando o Brasil para apurar o que as micros tem feito para divulgar a cultura cervejeira – e tudo sem patrocínio nenhum, tudo pagando do meu próprio bolso. Desde 2007 venho devorando todos os livros sobre o tema, e corro atrás de oportunidades de aprendizado para entender mais desse mundo cervejeiro que tanto me fascina. Eu achava que no mundo das cervejas artesanais, as mulheres seriam tratadas com o mesmo respeito que as cervejas deveriam ter, mas presenciei diferente.
Sobre a questão de “vender cerveja pra mulherada”, como você abordou na ocasião:
O que defendo é que a venda da cerveja seja feita de forma individual, e não direcionada para homens, para mulheres, para gays, e etc. Cada pessoa, independente de gênero, tem um histórico alimentar diferente, um perfil cultural e sensorial diferente. Um bom sommelier de cervejas tem as ferramentas para encontrar a cerveja certa para o seu cliente tendo em vista essas coisas.
Acho interessante trazer essa questão para debate, pois o mundo cervejeiro sempre foi machista – da loira dos grandes conglomerados cervejeiros, que explora a imagem da mulher nas propagandas -, ao mundo da cerveja artesanal, em que a maioria dos cervejeiros hobbistas são homens. E aí, quando “vão vender cerveja pra mulherada”, apelam para o marketing do paladar feminino, porque há essa ideia de que mulher prefere bebidas doces e leves - o que me faz lembrar do marketing boca a boca da Malzbier, que a vendia como uma cerveja nutritiva e boa para grávidas. (Oi né?)
A questão da rejeição ao amargor é algo que acontece tanto com homens e mulheres, e paladar é uma coisa que se constrói ao longo do tempo. Oferecer cervejas não tão amargas ou potentes alcóolicamente para não assustar uma pessoa que não bebe cerveja (ou está acostumada a cervejas com pouco amargor) é sim, uma boa estratégia. Mas isso independente de ser homem ou mulher. Não sou contra cervejas doces, aromatizadas, com flores e leves. Apesar de não serem as minhas preferidas, acho ótimo que exista mercado para elas, e que tanto mulheres quanto homens comecem a experimentar novas cervejas por elas. Assim como a Cerveja do Amor, da cervejaria Bodebrown, que também foi abordada na ocasião, por ser tachada de cerveja de “frutinha”, segundo Samuel Cavalcanti. Não acho que esse tipo de comportamento – de estereotipar e rotular as coisas – deva ser incentivado pelo movimento cervejeiro. Um exemplo concreto é desse post sobre “como fazer sua namorada gostar de cerveja”, em que o sujeito oferece a Cerveja do Amor, achando que tem tudo a ver com “paladar feminino”, e a namorada não gosta – http://beerhacking.com/2011/07/04/como-fazer-sua-namorada-tomar-cerveja-a-saga-parte-2/. Por que que alguém deveria partir do pressuposto de que só porque a cerveja leva amoras, tem “amor” no nome e é rosa deva agradar uma mulher?
Há diversas pesquisas de preferência pelo mundo, e todas elas são feitas por amostragem, o que não atesta que mulheres em geral preferem cervejas doces/leves. Essas pesquisas sugerem uma tendência para uma certa região. Tenho uma pesquisa da Assobirra de 2011 que diz que as mulheres atualmente bebem cerveja e comem panini como os homens – o que não se encaixa na nossa realidade brasileira. O que há de extraordinário em uma mulher bebendo uma Peroni Azurro e comendo panini aqui nas bandas brazucas? A única coisa que poderíamos considerar seria a mudança de comportamento das italianas em relação à cerveja.
Há pesquisas na área biológica que aí sim, comprovam que mulheres têm sensibilidade maior para certos aromas e sabores – por esse motivo muitas cervejarias contratam mulheres para encontrar defeito na cerveja. Mulheres grávidas são mais sensíveis ainda a cheiros e certos sabores.
Mas isso nada tem a ver com paladar feminino. Mulheres não são iguais, pessoas não são iguais, assim como cervejas artesanais não são iguais, cada uma tem sua alma e deve ser respeitada. Quanto mais informações dermos ao consumidor, quanto mais focarmos na educação cervejeira, menos a indústria precisará depender de estratégias tão toscas quanto a do paladar feminino para fazer uma venda num bar! Tenho contato com diversos grupos de mulheres pelo mundo – como Pink Boots Society, Ladies of Craft Beer, além das próprias confrarias femininas brasileiras, e venho constatando que as mulheres não gostam desse rótulo de paladar feminino, não. Há até uma reportagem da revista australiana Beer & Brewer, que diz que as australianas “só querem é beber em pé de igualdade como qualquer outra pessoa”. É uma coisa a se refletir!